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Portugueses
                                     

★ Portugueses

Portugueses são um povo e grupo étnico da Península Ibérica, no sudoeste da Europa. O português é a sua língua, e o catolicismo a religião nominalmente predominante.

Geneticamente, os dados apontam para uma fraca diferenciação interna dos portugueses, cuja base é essencialmente continental europeia de origem paleolítica. A base genética da população do território português mantém-se aproximadamente a mesma nos últimos quarenta milénios, apesar da presença de inúmeros povos no território português que também contribuíram para o património genético dos seus habitantes.

Culturalmente, as presenças celta, romana, germânica e moura foram significativas, tal como foram decisivas a vizinhança e as relações com os restantes países europeus e as relações coloniais com África, o Brasil e o Índico a partir dos séculos XV e XVI ver Cultura de Portugal.

No período moderno, os processos migratórios mais relevantes em Portugal deram-se nas últimas três décadas do século XX e até ao presente, com a notável exceção da entrada de grupos ciganos ainda no século XV. Após 1974, o país torna-se um recetor significativo de populações migrantes, quer como resultado direto ou indireto da descolonização de África, quer como resultado da participação de Portugal na União Europeia. Portugal tem vindo a receber em número crescente populações migrantes oriundas do Brasil ex-colónia portuguesa, África com maior relevância das ex-colónias, Ucrânia e países do Leste Europeu em geral, além duma multiplicidade demograficamente menos significativa doutras origens, entre as quais avoluma a chinesa.

Portugal foi tradicionalmente uma terra de emigração, desde o período da expansão imperial e colonial, passando, por exemplo, pela emigração económica para o Brasil no século XIX e pela emigração económica, a partir de 1960, para alguns países da Europa Ocidental. Além dos cerca de dez milhões de portugueses residentes em Portugal, estima-se existirem cerca de cinco milhões mais espalhados pelo mundo incluindo os lusodescendentes recentes num total de cerca de quinze milhões de portugueses.

Os portugueses, assim como outros povos do sul da Europa e mediterrânicos, são uma população predominantemente morena.

                                     

1. As origens

Os portugueses são uma população sul europeia, predominantemente atlântico europeia e oeste-mediterrânica. Foram muitos os processos migratórios que contribuíram para a formação do povo português, mas o grande contributo parece ser o mais antigo, ou seja, a população portuguesa, tal como as restantes populações ibéricas e algumas das outras populações da Europa Ocidental particularmente costeira ou insular, são maioritariamente resultantes de processos de povoamento paleolíticos, aquando da chegada e povoamento da Europa por humanos modernos progressivamente substituindo as populações de Neandertais, que viriam a extinguir-se precisamente no oeste e sul da Península Ibérica. De facto, cerca de 60%, em média, das linhagens genéticas em Portugal apresentam marcadores que as caracterizam como de origem paleolítica, nomeadamente o Haplogrupo R1b Y-cromossomático e o Haplogrupo H ADN mitocondrial.

Desenvolvimentos recentes das metodologias para definição das estruturas populacionais levaram a um estudo de 2006 que concluiu verificar-se uma clara e consistente divisão entre grupos populacionais sul e norte europeus. Um estudo adicional de 2007 posiciona as populações ibéricas algo afastadas de outros grupos continentais, incluindo outros grupos sul-europeus, dando fundamento à hipótese que a Península Ibérica alberga as populações com a origem mais antiga de toda a Europa. Neste estudo, a mais importante diferenciação genética europeia atravessa o continente de norte para sudeste, acompanhada de um outro eixo de diferenciação este-oeste diferenciando o sul do norte, ao mesmo tempo que se verificou, apesar destas linhas de demarcação relativa, a homogeneidade e proximidade genética de todas as populações europeias.

Um estudo genético de 2019, que analisou o DNA de habitantes da Península Ibérica, dos últimos oito mil anos, sugere que a população portuguesa e espanhola foi formada pelas seguintes ondas migratórias:

  • Período Romano c. ano 0: influxo genético do Mediterrâneo central e oriental. Algum influxo adicional de genes norte-africanos, no sul da Península Ibérica.
  • Mesolítico c. 8 mil a.C.: há um influxo inicial de caçadores-coletores da Europa Central, que migraram para o noroeste da Península Ibérica.
  • Período Visigótico c. ano 400: nenhum influxo genético duradouro.
  • Idade do Bronze c. 2 mil a.C.: fluxo gênico adicional do Centro e do Norte da Europa.
  • Período Muçulmano c. ano 1000: fluxo gênico adicional do Norte da África. Com a Reconquista, há uma maior troca de fluxo gênico do resto da Península Ibérica em direção ao Sul, seguido da expulsão dos mouriscos, reduzindo a contribuição norte-africana, mas sem eliminá-la completamente.
  • Idade do Cobre c. 3 mil a.C.: algum influxo de genes pelo contato esporádico com o Norte da África.
  • Idade do Ferro c. mil a.C.: mais fluxo gênico do Centro e do Norte da Europa.
  • Início do Neolítico c. 5 mil a.C.: agricultores neolíticos mudam-se para a Península Ibérica, introduzindo a ancestralidade da Anatólia.
  • Médio Neolítico c. 4 mil a.C.: influxo adicional de caçadores-coletores da Europa Central.
                                     

1.1. As origens A base paleolítica das modernas populações ibéricas

Entre o 45.º e o 40.º milénios antes do presente, durante o Paleolítico Superior e a última Idade Glaciar, o primeiro povoamento da Europa por seres humanos modernos ocorreu com o chamado Homem de Cro-Magnon. Estes eram caçadores-recoletores nómadas originários das estepes da Ásia Central. Quando a última glaciação atingiu o seu máximo, entre o 35.° e o 30.º milénio antes do presente, estes humanos modernos refugiaram-se no sul da Europa, nomeadamente na Península Ibérica, tendo aí entrado por via do sul do atual território francês, através dos Pirenéus. Nos milénios que se seguiram, acompanhando a progressiva retração e extinção das populações Neandertais, as culturas humanas modernas floresceram na Península Ibérica, produzindo períodos como o Aurignaciano, Gravetiense, Solutrense e Magdaleniano, alguns deles caracterizados por formas complexas de arte pré-histórica e que produziram expressões artísticas tão monumentais como o Vale do Côa em Portugal.

Estas populações paleolíticas, a grande base démica da presente população portuguesa, eram relativamente homogéneas geneticamente caracterizadas pela mutação M173 no Cromossoma Y, e viriam a desenvolver a mutação M343, originando o Haplogrupo R1b, dominante ainda hoje entre os Portugueses e outros europeus ocidentais como Britânicos, Franceses, Irlandeses, Belgas e etc.

Anteriores análises do Cromossoma Y e do ADN Mitocondrial tinham já constatado a suma importância do legado paleolítico nas populações ibéricas. Apesar de essas metodologias não propiciarem fortes inferências sobres as estruturas genéticas populacionais, são bastante úteis na reconstrução das rotas migratórias das populações europeias. Quer o haplogrupo Y-cromossomático R1b, quer o haplogrupo mitocondrial H atingem frequências de 60% em quase toda a Península Ibérica chegando a 90% no País Basco. Tal demonstra o laço ancestral entre a Península Ibérica e o resto da Europa Ocidental, em particular a Europa atlântica, que partilham elevadas frequências destes marcadores genéticos. Estas análises dão forte fundamento à hipótese segundo a qual populações fundadoras do norte ibérico colonizaram o resto da Europa Ocidental no fim da última glaciação. De facto, um dos maiores componentes do genoma europeu parece derivar de antepassados cujas características genéticas eram semelhantes à dos Bascos modernos, sendo que este componente é, por razões de proximidade e concordância geográfica, mais elevado no território ibérico.

                                     

1.2. As origens A conexão atlântica

Geneticistas como Barry Cunliffe, Bryan Sykes, Stephen Oppenheimer e Spencer Wells têm avançado com a hipótese, fundamentada nestes e noutros estudos genéticos, bem como em dados arqueológicos, de que as populações ibéricas devem ser consideradas como a origem principal dos povos que repovoaram a Europa atlântica no período pós-glacial, particularmente durante o Paleolítico e o Mesolítico, mas também no Neolítico.

De facto, esta origem genética mantém-se predominante ainda hoje na região atlântica europeia, desde a Península Ibérica, passando pela França, as Ilhas Britânicas onde é particularmente marcada, nomeadamente nas populações do País de Gales e da Irlanda e atingindo partes da Península Escandináva.

Dentro dos marcadores genéticos que evidenciam tal realidade démica, tais como o importante Haplogrupo Y-cromossomático R1b, existem haplotipos modais, sendo um dos mais caracterizados o Haplótipo Modal Atlântico AMH, que atinge as frequências mais elevadas na Península Ibérica, atingindo os 37% em Portugal. A população portuguesa é relativamente homogénea, sendo o haplogrupo mais frequente em Portugal o R1b3 típico das populações Europeias.

Estes autores afirmam que, particularmente no Mesolítico período de transição entre o Paleolítico e o Neolítico, com início há cerca de 10 000 a.C., a Oscilação de Allerod, uma desglaciação que diminuiu as condições árduas da última Glaciação, permitiu que as populações ibéricas descendentes do Homem de Cro-Magnon migrassem e recolonizassem toda a Europa Ocidental. Este foi o período da cultura Aziliense no sul de França e norte da Península Ibérica até a foz do rio Douro, bem como da cultura dos Concheiros de Muge, no Vale do Tejo.



                                     

1.3. As origens O contributo neolítico

As contribuições populacionais e culturais neolíticas para o conjunto ibérico também não podem ser ignoradas, embora tenham uma importância menor quando comparadas com o peso da origem paleolítica. Os processos démicos e culturais do Neolítico estão associados à expansão da agricultura a partir do Médio Oriente.

Estudos genéticos recentes apoiam a ideia de um importante elemento de origem neolítica no conjunto do genoma europeu, dando apoio ao modelo de difusão démica a partir do Médio Oriente. Este componente genético neolítico encontra-se igualmente em níveis significativos nas populações ibéricas, embora em níveis marcadamente inferiores ao verificados noutras regiões europeias, quer as mais a leste e com maior proximidade geográfica com o ponto de origem médio-oriental, como a Península Balcânica, quer mais a norte. De facto, as grandes diferenciações genéticas europeias atravessam o continente numa distribuição clinal de orientação sudeste / noroeste, assim ligando mais as populações mais ocidentais da Europa incluindo a Península Ibérica através da origem paleolítica comum aliás, de origem ibérica, e as populações do leste, particularmente do sudeste, através de uma origem neolítica comum. No entanto, o modelo de difusão démica permanece algo controverso, já que as provas que o sustentam, sendo Y-cromossomáticas, logo apontando para movimentos populacionais masculinos, não encontram correlato nos dados conhecidos de ADN mitocondrial, ou seja, dos movimentos migratórios femininos. Tal faz suspeitar que os processos neolíticos de expansão a partir do Médio Oriente tenham sido não só essencialmente masculinos, mas mais um processo de expansão cultural do que populacional.

De qualquer forma, o Neolítico trouxe mudanças à paisagem humana da Península Ibérica a partir de há 7 000 a.C., com o desenvolvimento da agricultura e o início da Cultura Megalítica Europeia. Esta viria a espalhar-se por grande parte da Europa Ocidental e parte do Norte de África. Um dos centros mais antigos desta cultura monumental foi Portugal. Este é igualmente o período em que se assiste à expansão por via marítima, a partir do leste mediterrânico, da Cultura da Cerâmica Cardial, associada igualmente a processos migratórios marcados pela presença do Haplotipo E3b, originário do Corno de África e disperso pelo Mediterrâneo oriental durante o Mesolítico.

Note-se que, com algumas excepções localizadas, os dados arqueológicos demonstram que este processo foi essencialmente de aculturação das populações europeias, mais do que de migração em massa. Mesmo assim, a Cultura da Cerâmica Cardial terá tido um papel de relevo no lento desenvolvimento das primeiras culturas Neolíticas das regiões Atlânticas, embora com maior impacto directo nas zonas do leste ibérico. De facto, os monumentos megalíticos europeus estão frequentemente acompanhados de restos arqueológicos de cerâmica e outros artefactos provenientes desta cultura.

                                     

1.4. As origens A Idade do Cobre

A Idade do Cobre, ou Calcolítico, trouxe igualmente mudanças à paisagem humana e cultural da Península Ibérica e nomeadamente ao território português. Esta fase caracteriza-se pelo início da metalurgia, pelo aumento da complexidade e estratificação sociais, bem como, no caso ibérico, pelo aparecimento das primeiras civilizações de extensas redes de troca e comércio que vão do Norte de África até ao Mar Báltico, com relevo para as Ilhas Britânicas.

A data convencional para o começo do Calcolítico ibérico é de cerca de 3 000 a.C. Nos séculos que se seguiram, particularmente no sul da Península, bens metálicos, muitas vezes decorativos e rituais, tornaram-se frequentemente comuns. Este é igualmente o período de grande expansão do Megalitismo, com as práticas funerárias associadas, que se expande ao longo das regiões Atlânticas e pelo sul da Península além de pelo resto da Europa atlântica. Em contraste, a maioria das regiões do interior peninsular e mediterrâneas permanecem refractárias a este fenómenos. Outro fenómeno do início da Idade do Cobre é o desenvolvimento de monumentos funerários de tipo tolo e cavernas artificiais, que se encontram no sul ibérico, desde o Estuário do Tejo até Almeria em Espanha e ao sudeste francês. Todos estes fenómenos se inscrevem na que foi a grande linha de demarcação cultural e démica em menor grau ibérica em geral e portuguesa em particular - mais mediterrânica a sul e leste, mais europeia continental a norte e oeste.

Por volta de século XXVII a.C., começaram a aparecer comunidades urbanas, mais uma vez mais marcadamente no sul do território. As mais importantes de toda a Península Ibérica foram a de Los Millares no sudeste espanhol e a de Zambujal pertencendo à cultura de Vila Nova de São Pedro, em Portugal, podendo já ser chamadas "civilizações", ainda que lhes falte a componente escrita.

A partir de 2 150 a.C. dá-se uma importante transformação cultural e, em parte, populacional na Península Ibérica calcolítica, com o aparecimento da Cultura do Vaso Campaniforme, de origem portuguesa em paralelo com o megalitismo. Esta cultura ao difundir-se por toda a Europa demonstra tendências de regionalização, com diferentes estilos produzidos em várias regiões, sendo os mais importantes o tipo de Palmela em Portugal e os tipos Continental e Almeriano em Espanha.

                                     

1.5. As origens A Idade do Bronze

A Idade do Bronze, que se desenvolve a partir de 1 800 a.C., acentuará os processos populacionais e culturais verificados na Idade do Cobre: aumento da urbanização a sul e leste, aumento das influências centro-europeias a norte e oeste. De facto, é por volta do I milénio a.C. que se verificam as primeiras migrações para a Península Ibérica de populações claramente de língua Indo-Europeia associadas à expansão da Cultura dos Campos de Urnas, de carácter proto-celta, e que viriam a contribuir para a Idade do bronze atlântica cujas principais regiões parecem ter sido Portugal, a Andaluzia Tartesso?, a Galiza e a Grã-Bretanha). Estas migrações foram mais tarde, nos séculos VII a V a.C. já na Idade do Ferro, seguidas por outras que podem já ser claramente identificadas como celtas. É neste contexto de celtização que, a partir do século VI a.C. se deu o desenvolvimento da Cultura castreja numa ampla zona do noroeste da Península Ibérica, entre os rios Douro e Návia e a Oeste do Maciço Galaico, tendo desenvolvido um tipo muito peculiar de assentamentos, chamados castros, diferentes de outras áreas da Península.

Na Idade do Bronze tardia, desenvolvem-se igualmente as primeiras civilizações urbanas com escrita, tais como a de Tartesso na área da moderna Andaluzia ocidental, influenciada pela expansão comercial e cultural fenícia, e com forte impacto na região do sul de Portugal, na área que, posteriormente, veio a ser identificada como sendo habitada pelos Cónios ou Cinetes do Algarve e Baixo Alentejo eventualmente com presença até ao Alto Alentejo e à Estremadura espanhola.



                                     

1.6. As origens A Idade do Ferro

Os dois principais componentes dos desenvolvimentos populacionais do território português durante a Idade do Ferro foram a migração de populações celtas e o desenvolvimento da Civilização Tartéssica. Estes dois processos acentuaram ainda mais as características da paisagem cultural do Portugal de então - mediterrânico a sul do rio Tejo e continental a norte.

                                     

1.7. As origens Os celtas

As migrações de populações protoceltas e celtas, no seguimento da anterior expansão da Cultura dos Campos de Urnas, acentuam vincadamente o carácter indo-europeu do panorama humano na Península Ibérica, e muito particularmente o português. Trata-se, por um lado, do forte substrato protocelta às vezes chamado pré-celta que dará origem aos lusitanos e aos seus vizinhos vetões no espaço dos quais se veio a desenvolver a Cultura dos berrões, na área onde se identifica a cultura castreja e que parece estar também igualmente presente nos galaicos e ástures embora estes últimos possam ter igualmente uma forte componente aquitânica vinda dos também misturados Cântabros. Por outro lado, trata-se da clara "celtização" da metade noroeste da Península através dos processos de expansão démica e cultural a partir do centro celtibero, que assim produz populações celtas distintas das celtiberas e que podem ser designadas como hispano-celtas ou celtas da Península Ibérica

Desde os finais do século VIII a.C., a Cultura dos Campos de Urnas incorporou elementos da cultura celta de Hallstatt, num processo lento que esteve muito possivelmente ligado à chegada de contingentes populacionais com origem na Europa Central. De notar que, com a expansão a Leste na zona norte da moderna Catalunha da cultura ibera desde 600 a.C., é substituída a zona da Cultura do Campo de Urnas fortemente "celtizada" do nordeste pirenaico, a ligação entre os celtiberos e os seus congéneres do resto da Europa corta-se. Esta separação física entre celtas da Península Ibérica e celtas continentais explica por que motivo os primeiros nunca vieram a receber as influências do período cultural de La Tène que caracterizará os celtas "clássicos", aí incluindo o druidismo.

                                     

1.8. As origens A civilização tartéssica e os Cónios

A Civilização Tartéssica, com as suas origens no período final da Idade do Bronze, é uma cultura orientalizante autóctone com inícios no século VIII a.C., modificada pela influência crescente de elementos fenícios. A sua área central foi o oeste da Andaluzia, mas cedo expandiu a sua área de influência até à costa leste da Península e, no que a Portugal diz respeito, até ao estuário do Tejo, com particular incidência na zona do Algarve. Não é claro no entanto, se no Algarve a cultura era a mesma que na Andaluzia ou, apenas sob a sua influência.

A cultura tartéssica-cónia no sul de Portugal foi substituída pela forte presença Celta, resultado de processos migratórios dos Célticos, que assim "celtizaram" esta zona, bem como as populações, ligadas a Tartesso, dos turdetanos e dos cónios. Os Cónios legaram-nos o mais amplo património de escrita tartéssica na variante chamada escrita do Sudoeste e, mesmo depois de celtizados, permaneceriam como população autónoma até à chegada dos romanos, com quem se aliaram contra, nomeadamente, os lusitanos que acabaram por destruir a sua principal cidade - Conistorgis. Vários historiadores consideram de facto os Conii ou Cynetes em Latim, como uma população e cultura distintas dos Tartéssios, ainda que influenciados por estes. Além disso, não é consensual a designação da primeira escrita na Península Ibérica. Para muitos historiadores é a escrita do sudoeste ou sud-lusitana. Já os linguistas, utilizam as designações de escrita tartéssica ou turdetana. Outros concordam com a designação de escrita cónia, por não ser limitada geograficamente, mas relacionada com o povo e a cultura que criou essa escrita. E, segundo Leite de Vasconcelos com os nomes konii e Konni, que aparecem inscritos com variações em diversas estelas.

De notar que o florescimento tartéssico se dá no âmbito da expansão fenícia, quando esta está em confronto com a expansão e colonização grega do ocidente mediterrânico. Se a influência fenícia foi central no desenvolvimento de Tartesso, a influência grega parece ter sido igualmente central no desenvolvimento um pouco posterior da civilização ibera igualmente uma língua isolada não indo-europeia e não aparentada com o tartéssico, no leste e sul peninsular. Repare-se, portanto, que nunca existiram, contrariamente ao que muitas vezes se afirma, populações iberas em parte alguma do território português. Da mesma forma, é de notar que não há indício algum de colonização fenícia em Portugal, assim caindo por terra os mitos da fundação fenícia de Lisboa, para não falar da ainda mais inverosímil fundação grega. É claro que excursões comerciais fenícias devem ter percorrido as costas portuguesas de facto, pensa-se que até às Ilhas Britânicas, e que a sua provavelmente, indirecta via Tartesso, tenha tido impacto cultural.

É de notar, no entanto, que apesar da língua tartéssica ser em regra tratado como não classificada, dada a escassez de textos e falta de óbvias conexões com outras línguas - o que permanece como a visão dominante, vários autores apresentam-na como céltica ou pelo menos fortemente celtizada. Correa, Untermann e particularmente Koch propõem etimologias celtas para nomes tartéssicos, ou mesmo que o tartéssico era uma língua celta. Koch defende mesmo que as línguas celtas nascem no contexto cultural da idade do bronze atlântica.

                                     

1.9. As origens Antes dos romanos

Por volta do século IV a.C., os Célticos, uma nova vaga de migração celta, penetram no território português e assentam no Alentejo com penetração até ao Algarve. Os Túrdulos e os Turdetanos, provavelmente de origem tartéssica embora altamente celtizados, estabelecem-se na área do Guadiana. Uma série de cidades do Algarve, tais como Conistorgis, Balsa Tavira, Besuris Castro Marim, Ossónoba Faro e Cilpes Silves, são habitadas pelos Cónios, que se misturam progressivamente com os Célticos. Os lusitanos habitam a área entre o Douro e o Tejo e começam progressivamente a penetrar no Alto Alentejo. As populações galaicas, de substrato protocelta, tornam-se progressivamente populações de língua celta.

Por volta de pouco antes de 200 a.C., mesmo antes do início da Segunda Guerra Púnica entre Roma e Cartago, o panorama populacional do território português era um que, apesar dos profundos processos migratórios de mudança cultural, mantinha o essencial da base démica de origem paleolítica, tal como hoje em dia. Partindo dessa base paleolítica de origem continental europeia, bem como dos contributos neolíticos de origem mediterrânica, as populações de então eram etno-linguisticamente o resultado das migrações indo-europeias mescladas com o substrato não indo-europeu mais antigo.

Neste sentido, os povos que habitavam o ocidente peninsular antes da chegada dos Romanos eram os Galaicos a norte do Douro, os Lusitanos entre o Douro e o Tejo, os Célticos entre o Tejo e o Algarve e os Cónios ou Cinetes no Algarve, entre outros povos ibéricos pré-romanos com menor expressão, tais como os Brácaros, Celernos, Equesos, Gróvios, Interâmicos, Leunos, Luancos, Límicos, Narbasos, Nemetatos, Pésures, Quaquernos, Seurbos, Tamaganos, Taporos, Túrdulos velhos, Túrdulos opidanos, Turodos e Zelas.



                                     

1.10. As origens A romanização

Em 219 a.C., as primeiras legiões romanas invadem a Península Ibérica que viriam a designar por Hispânia no âmbito da Segunda Guerra Púnica contra Cartago herdeiros dos fenícios na zona de influência a sul, num processo de conquista que só será terminado durante o reinado do Imperador Augusto em 19 a.C. Os Romanos, com forte presença militar na Península, acabaram por ser a mais importante influência cultural nas populações que viriam a constituir a nação portuguesa. Tal influência deveu-se ao legado maior do latim nomeadamente o latim vulgar como, inicialmente, língua franca de comunicação e, posteriormente, língua universal, que originou a língua portuguesa. Outra influência que se pode considerar romana, ainda que de origem não romana e numa fase muito posterior já no século IV, foi o cristianismo. A importância romana foi não só directa, através destes e outros legados culturais, como indirecta e ainda presente, já que a Civilização Romana se constitui como uma das fontes matriciais da Civilização Europeia.

A importância de Roma não foi, no entanto, apenas cultural, já que importantes processos de colonização populacional também se verificaram, nomeadamente através da presença contínua de legiões romanas e dos estabelecimentos subsidiados de legionários após o cumprimento do serviço militar.

                                     

1.11. As origens Os germânicos

No início do século V, no âmbito da decadência do Império Romano do Ocidente, vários povos germânicos invadem a Península Ibérica. Os suevos quados e marcomanos, acompanhados por um pequeno grupo de búrios e os vândalos silingos e asdingos, acompanhados dos seus aliados sármatas, os alanos estabelecem-se no ocidente peninsular. Os vândalos e alanos irão migrar na sua maioria para o Norte de África e serão substituídos por outra população germânica entretanto chegada à Península - os visigodos.

Serão os suevos e os visigodos, portanto, as populações germânicas que definitivamente se estabelecem em território ibérico. Apesar da presença de elementos visigodos em território português, que denota algum grau de povoamento essencialmente de elite espalhado por todo esse território, será a presença sueva a mais duradoura e com maior impacto.

Os suevos, que estabelecem um reino independente na antiga província romana da Galécia, com capital em Bracara hoje Braga, e que resistiu à anexação pelo Reino Visigótico durante quase 200 anos, foram a população germânica que mais impacto terá tido nas populações de Portugal, já que muitos deles se estabeleceram como agricultores se disseminaram pelo conjunto da população e território. A população sueva estabelecida na Galécia é estimada entre 30 a 35 mil indivíduos, isto é 6% a 12% da população total da Galécia correspondente à metade Norte de Portugal e Galiza de então que eram o mesmo povo. Essa presença coincide também com o mais alto grau de contribuição genética germânica no território atual de Portugal e Galiza em toda a Península Ibérica. A única outra região ibérica com contribuição germânica significativa é a Catalunha, devido à ocupação dos reis Francos.

Estas populações germânicas rapidamente adquiriram os hábitos, religião e língua das populações que inicialmente dominaram, ao ponto de a sua diferenciação étnico-linguística ter desaparecido, só permanecendo a pertença visigoda como elemento de distinção nobiliárquica e linhagística. Os visigodos foram, inclusive, elementos centrais de reforço da romanização mais tardia de Portugal de toda a Península Ibérica, com a sua conversão do arianismo ao catolicismo e a promulgação de legislação, inclusive "códigos", em relativa continuidade com o Direito romano.

                                     

1.12. As origens Os mouros

Em 711 a Península Ibérica foi invadida por exércitos Islâmicos norte-africanos, conhecidos pela designação genérica de mouros - tratava-se essencialmente de berberes com elementos árabes. A presença e domínio islâmico na Península chamada Al-Andalus, em árabe الإندلس veio a revelar-se um processo duradouro com importantes consequências civilizacionais. Se a campanha de conquista muçulmana, aproveitando-se de uma guerra civil entre diferentes facções visigodas pelo trono da Hispânia visigótica, demorou somente 8 anos, o domínio mouro em território português prolongou-se até à conquista definitiva do Reino do Algarve pelos portugueses em 1249.

De facto, foi a presença e o domínio islâmico que catalisou os processos produtores quer do Estado, quer da própria nacionalidade portuguesa, no contexto da reacção das elites e populações cristãs a que se convencionou chamar "Reconquista". Mas não pode pensar-se este processo de cinco séculos como um que tenha oposto linearmente as populações cristãs aos invasores islâmicos. Ocorreram processos de aculturação e entrecruzamento entre as populações autóctones da Península e as populações ditas "mouras". Os processos culturais foram de extrema importância: a complexidade, sofisticação e envergadura civilizacional, os contributos tecnológicos e científicos, linguísticos e literários, intelectuais, artísticos, etc., do Islão na Península Ibérica foram de tal ordem que levam vários historiadores a falar, pelo menos para alguns dos períodos de dominação islâmica, de uma idade de ouro civilizacional, a que toda a Europa muito deveria.

Além dos processos culturais, também ocorreram decerto processos démicos ou populacionais. Esta questão, a do contributo de populações mouras para o património genético das populações ibéricas modernas, levantou desde cedo muita controvérsia, não só por causa das conotações religiosas e políticas dessa presença moura no âmbito das discussões e competições nacionais e estatais intra-europeias, mas, acima de tudo, pelas conotações "raciais" dessa presença.

Desde a generalização das ideologias racistas e racialistas europeias a partir do século XIX, o período mouro da história peninsular foi usado como argumento para desqualificar "racial" e culturalmente os povos ibéricos da sua pertença europeia. Tais argumentos equiparam essa suposta componente norte-africana dos povos ibéricos a uma componente apenas qualificada como "africana". Nos mundos de língua inglesa e alemã, por exemplo, a definição de "mouro", embora não sem ambiguidades, torna o termo praticamente sinônimo de "negro". Estas construções, particularmente vindas do mundo anglófono, foram historicamente mais relevantes aquando dos processos de competição colonial entre as potências ibéricas, particularmente a Espanha e as do norte da Europa, especialmente quando tais conflitos foram replicados luta entre catolicismo e protestantismo.

Estas visões racistas e racialistas, tal como muitas outras perspectivas mais generalizadas inclusive na própria Península Ibérica que, ainda que não tão marcadamente discriminatórias como as anteriores, fazem dos mouros ibéricos uma população e categoria "racial" radicalmente diferente das populações autóctones ibéricas, não têm em consideração os seguintes aspectos:

  • Mesmo nas elites islâmicas, a presença de elementos conversos não era despicienda - mesmo algumas dinastias reinantes tinham origem hispano-visigótica como os Banu Cassi, fundados pelo converso hispano-visigodo Conde Cássio.
  • As populações norte africanas, mesmo com os diferentes momentos de entrada dessas populações ao longo dos séculos, foram sempre uma minoria que não terá ultrapassado os 10% do conjunto da população total.
  • A maioria da população muçulmana da Península Ibérica era constituída por autóctones ibéricos convertidos os chamados Muladis, isto é, a maioria dos "mouros" eram de facto europeus, ibéricos de religião islâmica.
  • A maioria da população em zonas de domínio muçulmano, ao longo de todos os séculos de presença, não era muçulmana com algumas excepções localizadas espacial e temporalmente, mas sim população autóctone ibérica que se manteve de língua românica e cristã do rito visigótico, ainda que fortemente arabizada do ponto de vista cultural - os chamados moçárabes.
  • Os processos sociais do final da Reconquista e do período seguinte instituíram sistemas de discriminação social geridos em parte pelas autoridades religiosas que guetizaram e até expulsaram para o Norte de África fatias significativas das populações ditas mouriscas as quais de qualquer modo, tinham uma origem basicamente autóctone ibérica.
  • A maioria das populações norte-africanas que de facto se estabeleceram na Península eram berberes. Os Berberes, particularmente das regiões mais litorais, não podem ser descritos como uma população radicalmente diferente das populações sul-europeias, com as quais, aliás, apresentam ligações ancestrais.
                                     

1.13. As origens O legado genético do domínio islâmico

Existem vários estudos focados no impacto dos séculos de domínio e presença islâmica na Península Ibérica no património genético das populações da Península Ibérica.

Alguns desses estudos apontam para relação parcial, ainda que pequena, entre algumas das populações ibéricas nomeadamente do extremo sudeste da Península e algumas populações norte-africanas. A Península Ibérica e a Sicília são as únicas regiões europeias com níveis significativos do haplotipo Y-cromossomático E-M81 típico do noroeste africano, de notar que este e outros marcadores genéticos deste tipo estão também presentes noutras regiões da Europa - a questão é de significado estatístico das frequências. Por outro lado, é difícil saber se estas contribuições para o genoma ibérico são o resultado dos séculos de domínio muçulmano ou de antigos processos démicos que antecedem a presença islâmica, constituindo o resultado de algum fundo populacional e migratório do Ocidente mediterrânico, como se constata quando se analisam as populações berberes norte-africanas. No caso português, pelo menos, parece ser esta claramente a situação.

A maioria dos estudos genéticos verifica que a presença de elementos norte-africanos nas modernas populações ibéricas é menor quando comparada com a base ancestral pré-islâmica. De facto, verifica-se uma clara descontinuidade genética entre o norte de África e a Península Ibérica, já que vários desses estudos não detectam nenhuma relação particular entre populações ibéricas mesmo as do Sul, na Andaluzia, mais tempo submetidas ao domínio islâmico e norte-africanas Os resultados destes estudos mostram, globalmente, que as populações ibéricas e norte-africanas se originaram em linhagens genéticas diferentes e que o Estreito de Gibraltar funcionou como uma significativa barreira ao fluxo de genes. Não só cerca de 78% dos cromossomas Y ibéricos têm origem no Paleolítico Superior e 10% nas expansões Neolíticas, também apenas 6%, no máximo, poderão ter origem norte-africana, sendo que o genoma norte-africano tem ele próprio cerca de 4% de contribuição genética europeia O domínio islâmico terá, assim, deixado uma contribuição démica mínima.

Na realidade, as populações ibéricas apresentam um grau substancial de homogeneidade de clara pertença ao conjunto europeu de diversidade genética. A clara diferenciação entre as populações do noroeste africano e da Península Ibérica sugerem que o Mar Mediterrâneo funcionou, neste caso, como uma forte barreira geográfica que restringiu os fluxos démicos, ainda que fortes factores culturais também possam ter jogado o seu papel.

                                     

1.14. As origens As minorias mouriscas e judias

A presença islâmica na Península não foi um processo pacífico, embora não tenha sido apenas um processo bélico. Desde cedo se verificaram processos reactivos por parte das elites e populações cristãs peninsulares. Tal levou à formação de entidades estatais no norte da Península, área que, de resto, pouca presença e influência islâmica teve. É desta reacção social, cultural e militar a que se convencionou chamar "Reconquista" que emergiram não só os estados ibéricos, mas também as modernas populações e identidades nacionais da Península.

Este é claramente o caso de Portugal. Desde a fundação do Condado de Portucale por Vímara Peres em 868, passando pela fundação do seu sucessor Condado Portucalense, já com D. Henrique, e incluindo os territórios flutuantes do antigo Condado de Coimbra, até à independência do Reino de Portugal com Afonso Henriques em 1139, a História de Portugal é uma de construção política de um espaço geo-demográfico que se diferencia dos seus vizinhos cristãos mormente a Galiza e o Reino de Leão, depois Reino de Castela à custa do território conquistado aos muçulmanos. Este processo culminara com a tomada do Reino do Algarve por Afonso III em 1249, tornando Portugal a primeira nação da Península Ibérica a repor a soberania e valores cristãos. Na Espanha esse processo culminou em 1492 com os Reis Católicos.

Findo o domínio político e territorial islâmico, isso não eliminou totalmente a presença de populações islâmicas. Todo o processo histórico da Reconquista foi de grandes movimentações populacionais em toda a Península Ibérica - êxodos internos, conversões, re-conversões, alianças múltiplas, entrada e estabelecimento de populações "cruzadas" trans-pirenaicas nomeadamente francesas, flamengas, etc. No essencial, no entanto, a base populacional não se alterou, sendo os processos então verificados mais culturais do que propriamente démicos. Neste sentido, do ponto de vista demográfico de integração social, as questões mais prementes que então se colocavam eram as de, por um lado, integrar as populações cristãs do norte de rito romano de língua galaico-portuguesa com as populações moçárabes do sul de rito visigótico e língua moçárabe - o que foi rapidamente conseguido devido à irmandade religiosa o Cristianismo e linguística românico ibérico ocidental, e de, por outro lado, integrar as duas populações que maior alteridade sociocultural e religiosa apresentavam - os mouriscos de religião muçulmana e os judeus sefarditas.

Existiam, portanto ainda, minorias mouriscas e judias em Portugal após o final da Reconquista. Ambas eram objecto de processos de discriminação de intensidade historicamente variável, sendo, por exemplo, obrigadas à residência circunscrita quando residentes em zonas de povoamento urbano as chamadas judiarias e mourarias, bem como, nalguns momentos históricos, a indumentária específica facilmente identificável. Isso com certeza, contribuiu para um declínio e eventualmente êxodo destas minorias.

Os mouriscos eram essencialmente populações de religião islâmica mas muitas vezes de língua românica que, como acima se viu, descendiam basicamente de populações Muladis, ou seja, de grupos autóctones ibéricos europeus, convertidos ao Islão durante os longos séculos de domínio muçulmano. Tratar-se-ia de populações pouco numerosas, pobres, concentradas especialmente em Lisboa, Setúbal, Évora e Algarve.

Os judeus portugueses, maioritáriamente do subgrupo dos judeus sefarditas, eram uma presença mais antiga na Península, talvez remontando aos tempos romanos tardios, claramente documentada desde 482 e fortemente atestada desde os tempos visigóticos. Esta sempre foi uma minoria com um lugar problemático nas sociedades ibéricas tal como nas europeias em geral, devido às particularmente fortes tendências anti-semitas que cedo se fizeram sentir no Cristianismo. A situação dos judeus em Portugal oscilou entre períodos de relativa tolerância até períodos de forte perseguição. Não se sabe qual a percentagem da população portuguesa que poderia ser judia nos finais da Idade Média séculos XIV e XV, em 1492 e mesmo após a ordem de expulsão e conversões forçadas em massa ordenadas pelo rei Dom Manuel I em 1497. A fuga de muitos judeus portugueses para outros países europeus bem como os países islâmicos do Mediterrâneo Norte de África e Império Otomano, foi-se verificando ao longo dos séculos seguintes, já que a ordem de expulsão e conversões forçadas manuelinas, que também afectaram os mouriscos, não acabaram com os processos de controlo social e administrativo, nem com as perseguições e discriminações étnico-religiosas como o Massacre de Lisboa de 1506.

A criação do estatuto diferenciado de cristão novo com menos regalias sociais do que os cristãos velhos, aplicado aos descendentes e que subsistiria até 1772, no âmbito dos códigos de Limpeza de sangue que se instituíram em toda a Península Ibérica, bem como o surgimento da Inquisição Portuguesa em 1536 que duraria até 1821 e a obrigatoriedade de elementos distintivos de vestuário para cristãos novos, impôs um esquema de forte segregação e perseguição social que levou, a longo prazo, à extinção das comunidades judias com a demograficamente insignificante excepção das comunidades marranas de cripto-judeus, em Belmonte e pouco mais, quer por assimilação, quer principalmente por êxodo.

A questão central no que concerne a origem populacional dos portugueses é que, mesmo que tivessem ficado estas minorias judias e mouriscas em percentagem relevante após a Reconquista, tal não alteraria, como não alterou, as características do espectro démico português, já que, por um lado, os mouriscos tinham uma origem essencialmente ibérica e, por outro, também a tinham os judeus ibéricos

                                     

1.15. As origens A escravatura africana subsariana

A presença africana subsariana resultante dos processos da escravatura atlântica tem sido alvo de debates e polémicas. Não só em relação a Portugal, mas igualmente em relação ao resto da Europa Ocidental, isto porque havia um tráfico regular de escravos africanos não só de Portugal para Espanha, como para o resto da Europa. No século XVI os escravos africanos tinham já substituído todos os outros grupos étnicos e religiosos de escravos nos mercados de escravos europeus ocidentais. Não só foi tradicionalmente difícil quantificar o número de escravos "negros" em território português, também sempre foi difícil estimar, dadas nomeadamente as assimetrias na composição sexual das populações escravizadas, a taxa de reprodução dessas populações. Este tema foi e é igualmente alvo de discussões de carácter político dadas a exageros, desde tentativas bem fundamentadas de reabilitação do papel dos africanos na história portuguesa, até visões racistas que pretendem, pela visão negativa das populações africanas, discriminar Portugal e os Portugueses. No entanto, até a antiga e desacreditada antropologia física racialista recusava a ideia de que se tivesse verificado um significativo influxo de populações subsarianas em Portugal. Assim, não existe qualquer prova que em Portugal ou resto da Europa Ocidental, históricamente com domínios coloniais no passado, tenham sido deixadas marcas genéticas subsarianas de relevância resultantes dos processos da escravatura.

É hoje sabido encontrarem-se marcadores genéticos subsarianos em todo o continente europeu, desde a Península Ibérica ao Báltico. Esses marcadores têm sido encontrados nomeadamente na Alemanha, Dinamarca, Grã-Bretanha, Finlândia, Sardenha, Sicília, Grécia, etc. Um estudo de 2005 encontrou frequências do haplogrupo de ADN Mitocondrial L de origem subsariana em 0.62% de uma amostra Dano-Alemã, 1% numa amostra Britânica, 3.83% numa amostra Ibérica Portugueses e Espanhóis, 2.38% numa amostra Albanesa, 2.86% numa amostra da Sardenha e 0.94% numa amostra siciliana. Por seu lado, os haplogrupos Y-cromossomáticos de origem africana E A foram detectados em Portugal 2%, França 2.5%, Alemanha 2%, Sardenha 1.6%, Áustria 0.78%, Itália 0.45%, Espanha 0.42% e Grécia 0.27%.

A explicação provável para a existência de linhagens subsarianas em Portugal é a escravatura moderna séculos XV a XVIII, o que se torna ainda mais lógico quando essas linhagens sejam mais frequentes nas ilhas que foram povoadas nesse período, os arquipélagos dos Açores e da Madeira, que, mesmo assim, não apresentam grandes diferenças com Portugal Continental, de onde a maioria das linhagens genéticas provém particularmente do Norte, nem em relação às distribuições típicas da maioria das populações da Europa Ocidental.

                                     

2. A estrutura genética da população portuguesa

Os dados sobre a composição genética dos Portugueses apontam para a sua fraca diferenciação interna e base essencialmente continental europeia paleolítica.

É certo que houve processos démicos no Mesolítico provável ligação ao Norte de África e Neolítico criando alguma ligação com o Médio Oriente, mas bastante menos do que noutras zonas da Europa, tal como as migrações das Idades do Cobre, Bronze e Ferro contribuíram para a indo-europeização da Península Ibérica essencialmente uma "celtização", sem apagar o forte carácter mediterrânico, particularmente a sul e leste. A romanização, as invasões germânicas, o domínio islâmico mouro e a presença judaica terão tido igualmente o seu impacto e a sua contribuição démica.

Podem mesmo listar-se todos os povos historicamente mais importantes que por Portugal passaram e / ou ficaram:

  • Os protoceltas e celtas.
  • Fluxos menos maciços de migrantes europeus particularmente da Europa Ocidental.
  • Suevos, búrios e visigodos, bem como alguns poucos vândalos e alanos.
  • Alguns Vikings.
  • Alguns poucos fenícios e cartagineses.
  • As culturas pré-indo-europeias da Península Ibérica como Tartesso e outras anteriores e seus descendentes como os cónios, posteriormente "celtizados".
  • Judeus sefarditas.
  • Romanos.
  • Uma pequena minoria de berberes com alguns árabes e saqaliba escravos eslavos.

Todos estes processos populacionais terão deixado a sua marca, ora mais forte, ora só vestigial. Mas a base genética da população relativamente homogénea do território português, como do resto da Península Ibérica, mantém-se a mesma nos últimos quarenta milénios: os primeiros seres humanos modernos a entrar na Europa Ocidental, os caçadores-recolectores do Paleolítico.

                                     

3. Processos migratórios modernos

Os processos migratórios que afectaram o território e população portuguesas não terminaram com os fluxos demográficos produzidos pela expansão colonial. Além de processos de menor escala e impacto, tais como o estabelecimento de uma multiplicidade de indivíduos isolados de pequeníssimas comunidades de origem europeia maioritariamente da Europa Ocidental, nomeadamente por razões de negócios, como alguns Italianos, Franceses e Flamengos entre outros ainda de menor monta durante os primórdios dos Descobrimentos, ou de comunidades Britânicas, particularmente no trato dos vinhos do Porto e da Madeira, a permanência de estrangeiros no território português como na época das cruzadas, no repovoamento do território após a reconquista, ou igualmente a permanência durante pelos menos uma década de exércitos franceses e britânicos durante as Guerras Napoleónicas, os processos migratórios mais relevantes deram-se das últimas três décadas do século XX para cá, com a notável excepção da entrada de grupos Ciganos ainda no século XV. Mas, de facto, é no pós 1974 que Portugal se torna, na sua história moderna e contemporânea, um receptor significativo de populações migrantes, quer como resultado directo ou indirecto dos processos de descolonização, quer como resultado da entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia, hoje União Europeia, de todas as transformações sócio-económicas e culturais que produziu no país.

                                     

3.1. Processos migratórios modernos Os "Retornados"

Após a Revolução de 25 de Abril de 1974 e os processos de descolonização das então chamadas Províncias Ultramarinas, a instabilidade social, política e militar nessas colónias levou a que a esmagadora maioria da população etnicamente portuguesa desses territórios essencialmente estabelecida nas duas grandes colónias, Angola e Moçambique, de resto esmagadoramente estabelecida muito recentemente desde 1961 data que coincide com o início da Guerra Colonial e o subsequente grande incentivo por parte do Estado Novo ao povoamento europeu das colónias africanas, retornasse ao território europeu português.

É difícil de quantificar o número exacto dessas "retornados", já que alguns segmentos da população portuguesa das colónias preferiu emigrar para a África do Sul, Brasil, Estados Unidos da América ou Canadá. O que é certo é que no Recenseamento Geral da População de 1981, levado a cabo pelo Instituto Nacional de Estatística português INE, mais de meio milhão de inquiridos declararam viver até 31 de Dezembro de 1973 em Angola, Moçambique ou noutra ex-colónia.

A integração desses "retornados" foi, nas palavras do sociólogo Rui Pena Pires, um sucesso extremo de assimilação, apesar de alguns problemas sociais de alguma discriminação inicial, o que demonstra a não diferenciação étnica das populações portuguesas do chamado ultramar em relação à "metrópole", bem como, dada a sua recentíssima expatriação, a sua integração em redes sociais coesas, como as familiares de parentesco, que permitiram a sua rápida absorção e distribuição pelo conjunto do território nacional sem que se verificassem fenómenos persistentes de guetização e discriminação.

                                     

3.2. Processos migratórios modernos Comunidades estrangeiras

Portugal de um país de que durante grande parte da sua história moderna foi considerado globalmente um país de emigração, tornou-se nas últimas três décadas um país de imigração. De facto, além de populações com origem na União Europeia e no resto da Europa, Portugal tem vindo a receber em número crescente populações migrantes com origem em África com óbvia relevância para as ex-colónias e no Brasil, além de uma multiplicidade demograficamente menos significativa de outras origens, entre as quais se avoluma a Chinesa.

É difícil quantificar o número de estrangeiros em Portugal, até pela existência de imigrantes em situação ilegal e não registada, e ainda mais difícil de quantificar o número daqueles que, tendo nacionalidade portuguesa, podem ser considerados como membros de minorias étnicas.

No respeitante aos cidadãos estrangeiros residentes com situação regularizada, para 2006, estima-se residirem de forma legal em Portugal menos de meio milhão de estrangeiros, avultando as comunidades Brasileira, Cabo-Verdiana e Ucraniana.

Olhando para dados agregados por continente de origem ver tabela ao lado com dados provisórios do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras português para 2006, constata-se serem as comunidades mais importantes as europeias, seguidas das africanas, as americanas e finalmente as asiáticas. De facto, a importância demográfica destas populações é crescente no respeitante ao crescimento da população residente em território português, ainda que não se possa considerar que Portugal tenha uma percentagem elevada de população estrangeira quando comparado com outros congéneres europeus.

É claro que muitos residentes em Portugal categorizados enquanto minoria étnica em termos das relações sociais mais alargadas não estão representados nestes dados. E a presença de populações estrangeiras não significa por si só processos de assimilação na população portuguesa em geral. De facto, desde os anos 1970, os processos de discriminação de etnização das relações sociais em Portugal têm-se vindo a acentuar, com particular destaque para a discriminação das populações de origem africana e brasileira, mesmo mais que populações que não têm como língua de origem o português nomeadamente os Ucranianos. Tal deve-se a múltiplos factores, desde institucionais e jurídicos, a socioculturais decorrentes da percepção estigmatizante da diferença, bem como económicos o acantonamente das principais comunidades migrantes em profissões relativamente desqualificadas, além de residenciais a concentração geográfica em bairros degradados e guetizados, particularmente no caso das comunidades de origem africana. Estes processos são aliás concomitantes com o reforço de uma visão crescentemente étnico-racial da identidade nacional por parte dos Portugueses, mesmo nas gerações mais novas.

                                     

3.3. Processos migratórios modernos A comunidade judia

Se a originária comunidade judia portuguesa foi praticamente extinta com os processos sociais, políticos e religiosos de perseguição dos séculos XV a XVIII com a excepção de minúsculas comunidades isoladas de Marranos cripto-judeus, a partir do século XIX dá-se uma reconstituição de uma pequena comunidade judia em Portugal.

Hoje em dia não se verificam processos discriminatório relevante em relação à pequena comunidade judia portuguesa, ainda que ataques isolados contra a comunidade se tenham verificado, tal como os actos de vandalismo perpetrados no Cemitério Judaico de Lisboa em 2007 com a profanação de campas através da pintura de cruzes suásticas. A memória da perseguição aos judeus continua presente, e levou a que, em 1987, o então Presidente da República, Mário Soares, pela primeira vez na História de Portugal, pedisse oficialmente perdão às comunidades judias de origem portuguesa pela responsabilidade de Portugal na Inquisição e nas passadas perseguições antijudaicas.

É difícil dizer quantos judeus existem presentemente em Portugal, embora o último recenseamento geral da população 2001 tenha estimado a população de religião judaica em cinco mil indivíduos, essencialmente concentrados em Lisboa e Porto, com mais três pequenas comunidades, uma em Ponta Delgada Açores, outra em Faro e outra em Belmonte.

A presente comunidade judaica é uma mescla entre judeus sefarditas de remota origem portuguesa, retornados a Portugal durante o século XIX nomeadamente de Gibraltar, Marrocos e Império Otomano, cripto-judeus, finalmente praticantes públicos da sua religiosidade e retornados ao seio do Judaísmo institucionalizado como os de Belmonte, e alguns judeus asquenazes, no essencial resultantes de algumas parcas decisões de estabelecimento em Portugal aquando do êxodo, através de Lisboa, ao Nazismo.

                                     

3.4. Processos migratórios modernos Os ciganos

A presença de comunidade ciganas em Portugal remonta à segunda metade do século XV, originários remotamente do norte da Índia e chegando ao território português por via continental europeia. Desde cedo, devido à sua diferença sociocultural e ao seu modo de vida nómada, os Ciganos foram objecto de fortíssima discriminação e perseguição em Portugal, como, aliás, em toda a Europa. As ordens de expulsão do território sucederam-se sem nunca terem conseguido apagar a sua presença.

O número de Ciganos em Portugal é de difícil quantificação. Segundo dados da Comissão Europeia contra o Racismo e Intolerância do Conselho da Europa seriam cerca de 50 mil espalhados por todo o país. Existem, no entanto, estimativas diferentes, como da organização SOS Racismo, que num inquérito de 2001, junto de 186 Câmaras Municipais, contabilizou somente um total 21, 831 indivíduos de etnia cigana.

A maioria das populações Ciganas em Portugal têm hoje um modo de vida sedentário, concentrando-se nos grandes aglomerados urbanos, e caracterizando-se pelos baixíssimos níveis de escolarização, pela exclusão social generalizada e por contextos residenciais precários em bairros degradados de barracas. Segundo o relatório da Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância, os Ciganos são o grupo étnico que os Portugueses mais rejeitam e discriminam, sendo igualmente alvo de discriminação institucional por parte do Estado, nomeadamente ao nível das municipalidades, sendo-lhes levantadas dificuldades persistentes no acesso ao emprego, ao alojamento e aos serviços sociais, bem como na relação com as forças policiais. Globalmente a sua situação tem sido de exclusão social.

                                     

4. Diáspora portuguesa

Portugal foi tradicionalmente uma terra de emigração: desde os processos de expansão imperial e colonização, passando pelo povoamento das Ilhas Atlânticas, pela colonização do Brasil onde a maioria da população tem ancestralidade portuguesa, ver Luso-brasileiro e Imigração portuguesa no Brasil e dispersão noutras partes do Império, a emigração económica para o Brasil já no século XIX e primeira metade do XX, bem como, em menor medida, para outras regiões da América, a emigração económica e política a partir de 1960, essencialmente para os países mais desenvolvidos da Europa Ocidental, bem como a emigração madeirense para a África do Sul e Venezuela e açoriana para os Estados Unidos e Canadá. Todos estes foram processos que produziram a existência de comunidades portuguesas fora de Portugal. É claro que, com o passar dos tempos e gerações, aqueles que inicialmente eram portugueses deixam de o ser, passando a ser americanos, canadianos, sul-africanos, brasileiros, venezuelanos, franceses, australianos etc. Ainda que, no âmbito das diferenciações étnicas desses países, possam ser categorizados como "portugueses". Contudo, as comunidades da diaspora portuguesa sentem geralmente um forte vínculo à terra dos seus antepassados, à sua língua, à sua cultura e aos seus pratos nacionais e particularmente ao bacalhau

Além dos cerca de dez milhões de portugueses residentes em Portugal, presume-se existirem quase cinco milhões mais espalhados pelo mundo, quer de primeira geração, quer luso-descendentes recentes, formando assim um total de cerca de quinze milhões de portugueses.

De acordo com dados da Direcção Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros português, os países com maiores comunidades portuguesas são, por ordem crescente de importância demográfica, a França, o Brasil e os Estados Unidos.

                                     
  • Os descobrimentos portugueses foram o conjunto de conquistas realizadas pelos portugueses em viagens e explorações marítimas entre 1415 e 1543 que começaram
  • Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses tendo alterado a sua designação após a Implantação da República Portuguesa em 5 de Outubro de 1910. Na primeira
  • Imigração portuguesa no Brasil, ou emigração portuguesa para o Brasil, é o movimento populacional de portugueses para o Brasil. Os portugueses constituíram
  • objectivo, o de incentivar os portugueses a nomear o seu Grande Português. O primeiro programa dos Grandes Portugueses foi emitido em 15 de Outubro de
  • de substrato a língua que contactou com o português Crioulos afro - portugueses Crioulos da Alta - Guiné Cabo Verde Crioulo de Cabo Verde ou Kauberdianu
  • de crioulos de portugueses foram também falado em Banda e Ambon. Em várias localidades da Malásia e da Indonésia em que os portugueses estabeleceram entrepostos
  • nessa altura a língua portuguesa também influenciou várias línguas. Durante a Era dos Descobrimentos, marinheiros portugueses levaram o seu idioma para
  • especialidades médicas. A Beneficência Portuguesa foi criada por iniciativa dos pequenos comerciantes portugueses Luís Semeão Ferreira Viana e Joaquim Rodrigues
  • aos Portugueses para apoiar este comércio, em troca de tributos em prata. O estatuto de guerra civil no Japão beneficiou grandemente os portugueses bem
  • crioulos afro - portugueses são as línguas crioulas faladas no continente africano, que tiveram uma substancial influência da língua portuguesa na gramática
  • inimigos do rei. Na sequência dessa atitude os mais poderosos navios portugueses são incorporados na Invencível Armada, e Lisboa foi o porto escolhido
  • referem às partes da América colonizadas por Portugueses A união entre a América de origem colonial portuguesa e espanhola a chamada América Hispânica
                                     
  • descobrimentos Descobrimentos Portugueses Descobrimentos espanhóis Armadas da Índia Cronologia dos Descobrimentos Portugueses Infografia, RTP, Portal Ensina
  • Moreno. A partida seguinte dos portugueses decorreu na Arena Otkrytiye em Moscovo contra a Rússia, país anfitrião. Os portugueses dominaram os russos desde
  • comerciais, principalmente portugueses e por camponeses, que venderam parte do seu excedente a comerciantes locais portugueses em troca de suprimentos.
  • Clube atual Jabaquara Atlético Clube Encantados, os canteiros, todos portugueses começaram a pensar na ideia de fundar uma equipe da colônia, assim como
  • Sant Antonio dei Portoghesi ou Igreja de Santo António dos Portugueses é uma igreja titular barroca no centro de Roma dedicada a Santo António de Lisboa
  • crioulos indo - portugueses são as várias línguas crioulas faladas na Índia e no Sri Lanca que tiveram uma substancial influência da língua portuguesa na gramática
  • portugueses estreados na década de 2010. Ver artigo principal: Lista de filmes portugueses de 2010 Ver artigo principal: Lista de filmes portugueses de
  • suas torcidas muitos descendentes de imigrantes italianos e imigrantes portugueses Também rivaliza contra o Nacional - SP. Adicionalmente, Ponte Preta e
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